Mário Pardal, duplamente presidencial no nome e avícola comum no apelido, era honrado, digno e honesto. Era uma daquelas pessoas "anais" nos hábitos e costumes qual Phileas Fogg lusitano, de tal maneira que quase se podia acertar um relógio por eles (os hábitos e costumes, bem entendido). Seguia protocolos á letra, regras á risca e leis Ipsis Verbis. Na sua mais sincera opinião (pois raros eram os casos em que a sua opinião não era sincera, mesmo...), era essa sua anal maneira de ser que caracterizava o homem íntegro e respeitado pelos seus pares.
Ora todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa assim, e a maioria das vezes são aborrecidas, desinteressantes e vulgares a tal ponto que nem se dá por elas, tanto sem querer como de propósito. Evitam-se e pronto. A proeza sobre-humana de Mário era que ele conseguia ser considerado...digamos, um gajo porreiro pelos seus largos amigos e família. Todos lhe queriam falar, todos queriam estar com ele, todos o adoravam e todos queriam a sua opinião ou conselho, o que contraria o que ali em cima dissemos de pessoas com personalidade deste tipo. Como ele o fazia não se sabe. Mas pode-se especular.
A mais notória capacidade sobre-humana dele era consequência dessa mesma proeza, pois toda a gente, com excepção da esposa, o tratava, no dia-a-dia, por Senhor Mário. Nunca somente por Mário, Márinho ou Márocas. Era o tipo de respeito que o homem provocava em quem o rodeava. Ninguém conseguia tratá-lo de outra forma, mais coloquial e familiar e, se se perguntasse, a quem o fazia, a razão de o fazer, também ninguém sabia responder. Não havia razão lógica quantificável, mensurável, e outras coisas acabadas em Ável exceptuando Respeitável, porque era isso que o Sr. Mário era e as pessoas tratavam-no assim e pronto, não obstante ele se fartar de dizer a todos que era simplesmente Mário, o Senhor estava no Céu (Cliché que causava grandes ofensas aos Ateus e a certos e determinados extremistas religiosos...), mas ninguém conseguia, tal como muito provavelmente ninguém havia conseguido tratar por "tu" Adolf Hitler.
O Sr. Mário era casado com São José Pardal, mulher de barba rija (outro cliché, quando na verdade, era o buço que era rijo e de rápido crescimento...), segurança privada, guarda-costas sem arma, acessório que era desnecessário, já que um murro bem dado por ela num antagonista variava, em ordem crescente de intensidade, entre um quarto de hora sem sentidos, a severo traumatismo craniano com possível coma. Eram essas habilitações profissionais que a faziam muito procurada por VIP's e evitada por Paparazzi. Era uma mulher alta e atlética, cuja massa muscular não deixara os atributos físicos femininos se desenvolverem ao ritmo normal. Toda ela era um conflito em si mesma, em que a cabeça era parte dominante e o coração a parte passiva, e a prova disso era o facto de não ter filhos nem sequer pensava em tê-los. A gravidez poria em risco a sua forma física e em hiato a sua profissão, e se havia coisa que São não era, era idiota. Cruzava-se com pessoas importantes no seu trabalho e pensava, refletia, ponderava e planeava, e um dia iria colocar o seu plano em marcha, fosse ele qual fosse, apesar de todos os planos jamais feitos na história da humanidade se resumiam a uma coisa: independência. Financeira, pessoal, profissional, qualquer uma. Mas ela viria, o plano correria sem percalços, sem imprevistos, e eles seriam livres. Ela e o seu Mário.
Mário, por seu lado, não ficara mínimamente transtornado ou depressivo por a sua mulher não lhe dar filhos. Ele já tinha duas filhas de uma ligação anterior da qual não gostava de falar com ninguém. Não conhecia os planos, as ideias, os projectos secretos da esposa (que por alguma razão eram secretos), mas não dormia na forma. O casal tinha grandiosos planos a longo prazo para atingir o mesmo objectivo, mas nenhum dos dois sabia das ideias do outro e, se São tinha VIP's como "ferramentas", o Sr. Mário tinha a família.
Independência. Era essa a chave. Pois se o sr. Mário tinha muita gente dependente dele, se todos lhe queriam falar, todos queriam estar com ele, todos o adoravam e todos queriam a sua opinião ou conselho, era através disso que ele ganharia a sua independência. Como o faria? Isso é uma outra estória, para uma outra ocasião.
A mais notória capacidade sobre-humana dele era consequência dessa mesma proeza, pois toda a gente, com excepção da esposa, o tratava, no dia-a-dia, por Senhor Mário. Nunca somente por Mário, Márinho ou Márocas. Era o tipo de respeito que o homem provocava em quem o rodeava. Ninguém conseguia tratá-lo de outra forma, mais coloquial e familiar e, se se perguntasse, a quem o fazia, a razão de o fazer, também ninguém sabia responder. Não havia razão lógica quantificável, mensurável, e outras coisas acabadas em Ável exceptuando Respeitável, porque era isso que o Sr. Mário era e as pessoas tratavam-no assim e pronto, não obstante ele se fartar de dizer a todos que era simplesmente Mário, o Senhor estava no Céu (Cliché que causava grandes ofensas aos Ateus e a certos e determinados extremistas religiosos...), mas ninguém conseguia, tal como muito provavelmente ninguém havia conseguido tratar por "tu" Adolf Hitler.
O Sr. Mário era casado com São José Pardal, mulher de barba rija (outro cliché, quando na verdade, era o buço que era rijo e de rápido crescimento...), segurança privada, guarda-costas sem arma, acessório que era desnecessário, já que um murro bem dado por ela num antagonista variava, em ordem crescente de intensidade, entre um quarto de hora sem sentidos, a severo traumatismo craniano com possível coma. Eram essas habilitações profissionais que a faziam muito procurada por VIP's e evitada por Paparazzi. Era uma mulher alta e atlética, cuja massa muscular não deixara os atributos físicos femininos se desenvolverem ao ritmo normal. Toda ela era um conflito em si mesma, em que a cabeça era parte dominante e o coração a parte passiva, e a prova disso era o facto de não ter filhos nem sequer pensava em tê-los. A gravidez poria em risco a sua forma física e em hiato a sua profissão, e se havia coisa que São não era, era idiota. Cruzava-se com pessoas importantes no seu trabalho e pensava, refletia, ponderava e planeava, e um dia iria colocar o seu plano em marcha, fosse ele qual fosse, apesar de todos os planos jamais feitos na história da humanidade se resumiam a uma coisa: independência. Financeira, pessoal, profissional, qualquer uma. Mas ela viria, o plano correria sem percalços, sem imprevistos, e eles seriam livres. Ela e o seu Mário.
Mário, por seu lado, não ficara mínimamente transtornado ou depressivo por a sua mulher não lhe dar filhos. Ele já tinha duas filhas de uma ligação anterior da qual não gostava de falar com ninguém. Não conhecia os planos, as ideias, os projectos secretos da esposa (que por alguma razão eram secretos), mas não dormia na forma. O casal tinha grandiosos planos a longo prazo para atingir o mesmo objectivo, mas nenhum dos dois sabia das ideias do outro e, se São tinha VIP's como "ferramentas", o Sr. Mário tinha a família.
Independência. Era essa a chave. Pois se o sr. Mário tinha muita gente dependente dele, se todos lhe queriam falar, todos queriam estar com ele, todos o adoravam e todos queriam a sua opinião ou conselho, era através disso que ele ganharia a sua independência. Como o faria? Isso é uma outra estória, para uma outra ocasião.
GOstei do blog. Acho de uma coragem tremenda, fazeres um blog só de estórias! que imaginação! Ganhaste uma leitora e continua a encher-nos de fantasia!
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