Rosete Manteigas era uma mulher orgulhosa. Sabia-o, estava ciente e era conhecedora disso. O que também sabia, consequentemente, era que o orgulho era considerado um pecado mortal, mas isso não a preocupava em absoluto. Nunca fôra uma pessoa religiosa, apesar de não ser Ateísta. A sua filosofia acerca de Deus, era mais do tipo se é que existe, deixa-O lá estar, eu não O chateio nem Ele a mim. Se não existe, tanto melhor. O mais parecido com Deus que Rosete tivera haviam sido os seus pais que, além de serem crentes na Suprema Divindade, eram crentes ainda mais fervorosos na única filha. Protegeram-na e mimaram-na de tal maneira que a rapariga, ao invés de virar uma tótó com medo de tudo e todos por seus pais a terem protegido, básicamente, da vida em si, revelou-se uma presumida determinada e teimosa com força de vontade quase capaz de mover montanhas. Tratada como uma Princesa, sim, mas tornou-se uma Catarina como d'A Fera Amansada de Shakespeare. Fera essa que, contráriamente á da peça teatral, nunca amansaria.
Tinha Rosete, portanto, orgulho. Orgulho no seu carácter, na sua profissão de Delegada de Propaganda Médica, nos seus bens, a maioria adquiridos sem a ajuda dos pais ricos e na sua filha Odete, que decidira seguir as pisadas profissionais da mãe e, no meio, não havia quem igualasse aquela dupla em sucesso, dinamismo e influências. Eram a dupla dinâmica (diziam elas), mas também eram as coquetes (dizia a família), sobretudo porque já desde a avó materna, as mulheres tinham nomes acabados em Ete. Suzete-Rosete-Odete.
A dupla dinâmica quase se tranformara em trio, um dia que Rosete fez sociedade no ramo da Propaganda Médica, com uma profissional Luso-Indiana chamada Lakshmi Sinore. Montaram uma empresa e o negócio corria de vento em pôpa, o que provocou o que esses êxitos sempre provocam: Inveja em terceiros. Esse terceiro, neste caso seria Odete. Sentindo-se relegada para segundo plano, a mais jovem das Manteigas congeminou e executou um plano. Foi aliciando clientes da empresa a lidarem somente com Lakshmi, manipulando-os para que estes subentendessem que a própria mãe, se não era corrupta, estava a um passo disso. Depois fez com que Rosete o descobrisse, fanzendo-a crer que a sócia estava a negociar com os clientes para fazer desfalques nas finanças da empresa.Rosete terminou a sociedade, o que a obrigou a cumprir o contrato entre as duas e a dar metade e Lakshmi, ficando pior do que antes de fazer sociedade. Não tivera outro remédio senão voltar a formar a velha dupla dinâmica com Odete, que saíra ilesa e insuspeita deste vil acto de sabotagem familiar.
Como é notório, óbvio e evidente, apesar da sua presunção, determinação e teimosia, Rosete era ingénua, á sua maneira. Em certos aspectos da sua vida, ela vivia em negação permanente pois se profissionalmente era inigualável, social e familiarmente era sofrível, se não mesmo medíocre. Prezando-se de saber de tudo no seu ramo de trabalho, Rosete (e Odete também, por arrasto) não sabiam que quase ninguém na família as respeitava, sendo que a maioria só tentava uma aproximação quando tinham segundas intenções, querendo aproveitar-se dos seus contactos ou influências, e afastando-se logo de seguida. Aqueles que prestavam atenção, viam isso nitidamente. Só elas é que não viam ou não queriam ver.
Mesmo o caso da relação amorosa de Odete com um homem casado, que á primeira vista não passava de amor, paixão e esses clichés todos, nada mais fôra que um engenhoso golpe com altos retornos financeiros. Mas isso é uma outra estória, para uma outra ocasião...
Tinha Rosete, portanto, orgulho. Orgulho no seu carácter, na sua profissão de Delegada de Propaganda Médica, nos seus bens, a maioria adquiridos sem a ajuda dos pais ricos e na sua filha Odete, que decidira seguir as pisadas profissionais da mãe e, no meio, não havia quem igualasse aquela dupla em sucesso, dinamismo e influências. Eram a dupla dinâmica (diziam elas), mas também eram as coquetes (dizia a família), sobretudo porque já desde a avó materna, as mulheres tinham nomes acabados em Ete. Suzete-Rosete-Odete.
A dupla dinâmica quase se tranformara em trio, um dia que Rosete fez sociedade no ramo da Propaganda Médica, com uma profissional Luso-Indiana chamada Lakshmi Sinore. Montaram uma empresa e o negócio corria de vento em pôpa, o que provocou o que esses êxitos sempre provocam: Inveja em terceiros. Esse terceiro, neste caso seria Odete. Sentindo-se relegada para segundo plano, a mais jovem das Manteigas congeminou e executou um plano. Foi aliciando clientes da empresa a lidarem somente com Lakshmi, manipulando-os para que estes subentendessem que a própria mãe, se não era corrupta, estava a um passo disso. Depois fez com que Rosete o descobrisse, fanzendo-a crer que a sócia estava a negociar com os clientes para fazer desfalques nas finanças da empresa.Rosete terminou a sociedade, o que a obrigou a cumprir o contrato entre as duas e a dar metade e Lakshmi, ficando pior do que antes de fazer sociedade. Não tivera outro remédio senão voltar a formar a velha dupla dinâmica com Odete, que saíra ilesa e insuspeita deste vil acto de sabotagem familiar.
Como é notório, óbvio e evidente, apesar da sua presunção, determinação e teimosia, Rosete era ingénua, á sua maneira. Em certos aspectos da sua vida, ela vivia em negação permanente pois se profissionalmente era inigualável, social e familiarmente era sofrível, se não mesmo medíocre. Prezando-se de saber de tudo no seu ramo de trabalho, Rosete (e Odete também, por arrasto) não sabiam que quase ninguém na família as respeitava, sendo que a maioria só tentava uma aproximação quando tinham segundas intenções, querendo aproveitar-se dos seus contactos ou influências, e afastando-se logo de seguida. Aqueles que prestavam atenção, viam isso nitidamente. Só elas é que não viam ou não queriam ver.
Mesmo o caso da relação amorosa de Odete com um homem casado, que á primeira vista não passava de amor, paixão e esses clichés todos, nada mais fôra que um engenhoso golpe com altos retornos financeiros. Mas isso é uma outra estória, para uma outra ocasião...